Nada melhor do que assistir a um filme que tenha aquela trilha sonora que te faz se engajar ainda mais na história dos personagens. É muito fácil citar algumas trilhas sonoras que, assim que escutamos, nos fazem lembrar dos filmes que elas fazem parte. Exemplos bem famosos são Love Me Like You Do da britânica Ellie Goulding, a qual foi o carro chefe do filme 50 Tons de Cinza, ou também Let It Go, interpretada por Idina Menzel para a animação Frozen.
Mas afinal, músicas também combinam com livros?
Bem, essa é uma questão que pra muitos é polêmica...
A leitura pode ser praticada de diferentes formas e em vários momentos. Seja no ônibus enquanto vai trabalhar, no intervalo dos estudos, na hora de pesquisar sobre um assunto em questão. Enfim, são infinitas as formas e momentos para se ler. Mas muitos leitores preferem a calmaria e o silêncio para poderem se concentrar melhor enquanto consomem o conteúdo de seus livros e por isso gostam de ler em seus cantinhos de descanso, em uma biblioteca, ou até mesmo em sua apropria casa.
Mas vale ressaltar que há aqueles que adoram uma boa playlist de músicas para se sentirem mais conectados e ambientados no mundo mágico em que estão navegando no ato de suas leituras. Algumas bibliotecas, inclusive, já estão aderindo a um novo modelo de ambientação de leitura, onde não mais temos aquele ambiente tradicional de biblioteca com tudo silencioso e calmo, mas também com a possibilidade de misturar a leitura e a música para que o leitor se sinta mais envolvido com o(s) seus(s) livro(s).
Independente se você gosta de silêncio ou de música na hora de ler, é inegável que as músicas podem nos ajudar a mergulhar melhor nos nossos sentimentos e este é um dos motivos que podem levar um leitor a utilizar-se deste elemento para ler seus livros preferidos. E era pensando nesse elemento chave de o ouvinte, ou de o leitor, se sentir abraçado pela história através da música que muitos artistas da era medieval, por exemplo, transformavam histórias ou grandes feitos em músicas e cantigas que pudessem engrandecer esses enredos. Vale lembrar também que a primeira obra da literatura ocidental que se tem registro foi Ilídia, sucedida por Odisseia, do poeta grego Homero. Várias canções inspiradas nesses poemas foram criadas ao longo da história, e foram elas que fizeram desse poema um dos maiores sucessos da antiguidade.
Indo mais adiante, vemos uma forma de arte europeia, com origem na Itália, emergir com força em boa parte do mundo. A ópera se torna uma moda artística nos séculos XVI e XVII, e é aqui que temos o nascimento de novas formas de juntar literatura e música. Romeu e Julieta, um clássico tanto do teatro quanto da literatura e do cinema, foi, por muitas vezes, adaptada em concertos de óperas em diversas partes do mundo. Mas também é fácil lembrar que os países da época aclamavam toda a cultura clássica da Europa, o que fez com que os concertos de música clássica fossem bastante frequentados e criados em diversos lugares. Como não lembrar de O Quebra Nozes e o Rei dos Camundongos, livro escrito em 1816 pelo alemão Ernst Theodor Amadeus Hoffmann e que foi a fonte de inspiração para o ballet clássico intitulado também de Quebra Nozes, composto pelo russo Piotr Ilitch Tchaikovski em 1892. As notas inconfundíveis da peça teatral deixaram a marca de Tchaikovski registrada na música clássica, e sua obra foi inúmeras vezes adaptadas para filmes inspirados em livros ao longo dos anos.
Mas ainda sim, voltando para a ópera, é inegável o quão rica é as influências do gênero para a cultura da literatura e do cinema. Mesmo tendo início há séculos atrás, a ópera é até hoje fonte de inspiração para muitos artistas. Anthony Burgess, famoso escritor e compositor britânico, inspirou-se na 5ª Sinfonia de Ludwig van Beethoven e em óperas de Mozart para criar o seu livro Laranja Mecânica (que inclusive tem uma incrível adaptação para os cinemas feito pelo brilhante Stanley Kubrick, de 1972).
Como podemos ver, então, a música pode sim fazer parte do mundo da leitura e do cinema (ou até mesmo das outras formas de manifestações artísticas que sejam relacionadas com a escrita). Temos infinitas maneiras de fazermos essas junções, dando ainda mais sentido para a história que ambas podem narrar. E sempre quem será beneficiado é o próprio leitor, que adentra na sua viagem de uma forma cada vez mais ambientalizada. Criamos mais vínculos e laços com as histórias e podemos sentir as emoções dos personagens. Mas claro, quem não curte muito a ideia de ouvir música enquanto ler, pode ter as mesmas sensações incríveis que qualquer outro leitor desde que se sinta a vontade na sua leitura. Porém, não custa nada tentar novas formas que nos incentive e nos cative ainda mais na prática diária das nossas viagens mágicas no mundo dos livros.



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