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E se?

 

É impossível prever como pequenas mudanças podem mudar drasticamente o futuro!

“O simples bater de asas de uma borboleta no Brasil pode ocasionar um tornado no Texas”

Cada dia depende do resultado do dia anterior e novas possibilidades são abertas a cada alvorada. Quem poderia saber se virar em uma esquina diferente, falar com a pessoa de trás e não da frente, 15 minutos a mais esperando alguém, tomar um ônibus errado ou pegar aquela rua e não outra em um dia de chuva não nos daria um presente diferente daquele que nós temos?

Várias narrativas disseminadas na cultura pop abordam essa temática, como os filmes Efeito Borboleta, Mr. Nobody ou Corra Lola Corra. Esse processo de resultados imprevisíveis inspira autores a criar novas realidades que nos permitem refletir como a história pode ser frágil e imprevisível.

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Em 1933, após um discurso no parque Bayfront em Miami, presidente Frankiln Delano Roosevelt saí em um desfile no banco de trás de um carro aberto cumprimentando os eleitores. No caminho o veículo é abordado por um pedreiro desempregado com um revólver em punho gritando: "Muita gente está morrendo de fome!" Zangara disparou seis tiros matando uma pessoa enquanto seu alvo, o presidente eleito, escapa ileso.

A atitude do atirador refletia a frustração de muitos trabalhadores estadunidenses que se viam desamparados após a Grande Depressão. As políticas do presidente ainda não haviam sido colocadas em prática a época. O New Deal, plano econômico keynesiano chancelado pelo Estado, investe maciçamente em infraestrutura, criação de seguros e direitos trabalhistas afim de abrir postos de trabalho interferindo diretamente nas instituições capitalistas.

Os impactos das políticas de recuperação de Roosevelt mostram-se bem sucedidas e coloca o país de volta no caminho da prosperidade, servindo como base ao American way of life ou "estilo de vida americano. Nos dias de hoje, muitos historiadores contestam essa versão afirmando que na verdade a Segunda Guerra Mundial que reergueu a economia nacional, puxando a produção industrial e o desenvolvimento. O fato é que, no século XX, de fato creram que as medidas institucionalizadas pelo presidente salvaram a economia dos Estados Unidos.

Com esse cenário histórico que em 1962 Philip K. Dick monta o livro que lhe garante reconhecimento como escritor e que em 2015 se torna uma adaptação pela Amazon Prime.

Hoje eu li O Homem do Castelo Alto.

A bala projetada pelo revólver de Zangara encontra seu alvo. Sem o grande líder reformador os EUA não se recuperam do colapso econômico e nunca entram ao lado dos Aliados na guerra. O Eixo espalha-se como um câncer por todo o planeta, no fim Alemanha Nazista e Japão dividem o mundo e curvam a maioria a sua vontade. Uma pequena resistência sobrevive em uma situação desfavorável armada com um único instrumento, aquele que alimenta a esperança de como o mundo poderia ser um lugar livre. Essa poderosa arma é um livro

Philip brinca com diferentes universos na narrativa incentivando o exercício imaginativo de como pequenas mudanças de acontecimentos poderiam provocar consequências, por vezes lamentáveis, por outras extraordinárias. Transformando em exposição o que muitos de nós alguma vez já pensamos após uma aula de história sobre Segunda Guerra na escola: E se os nazistas tivessem vencido?

No streaming foram feitas diversas mudanças em destaque e destino de personagens e também transformaram o livro utilizado pela resistência em um filme para ser projetado. Decisões que auxiliam na transmissão da mensagem pelo audiovisual, mas pouco trás excepcional. No geral tenta corrigir detalhes da obra literária que desagradam alguns dos leitores. A que não contribui para o exercício imaginativo além de materializar cenários chocantes de símbolos fascistas espalhados pela América. 

A leitura de O Homem do Castelo alto é super indicada, a premissa dos acontecimentos abre asas para diversas discussões, principalmente se for uma leitura feita em coletivo. Colocar o E se em nosso vocabulário imaginativo pode render momentos singulares de troca de experiências e de criação dos nossos próprios universos alternativos. E o que é a prática de leitura se não o navegar pela mente do outro?

 

 

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