Olhando atentamente a grade de lançamentos para o cinema nos últimos meses, é possível considerar que a chegada da adaptação cinematográfica do livro da Frank Herbert, Duna, marcou o período de retomada da exibição de filmes na pandemia. Sua arrecadação segue favorável e os pareceres por parte dos fãs e da crítica demonstram interesse para o que vai se seguir da saga de Paul Atreides e sua jornada no planeta deserto fictício tão imponente para a cultura Pop.
Mas, tendo em vista a comoção que se armou diante da produção do filme, qual o grande mérito de se ter adaptado essa obra? Bem, antes disso, seria correto discorrer um pouco sobre a sinopse: Duna retrata uma sociedade de alusão feudal, onde os robôs e computadores foram abolidos e o universo conhecido é dominado pelo Imperium, que rege as Casas que são governantes de planetas riquezas. Entretanto, a única riqueza que é extremamente relevante nesse contexto é o Mélange, comumente chamado de Especiaria; esse composto é essencial para as viagens interestelares, possibilitando o domínio político do imperador sobre os diversos sistemas plantearios a seu alcance. Esse 'fermento' é presente apenas em um único planeta: Arrakis, também referenciado como Duna.
Partindo desse backgruond, a Casa Atreides, composta pelo Duque Leto, um benevolente político, sua concubina Lady Jéssica, membra da ordem secreta das Bene Gesserit, e seu jovem filho, Paul, se mudam para esse importante planeta por ordem de um decreto imperial que retira a Casa Harkonnem, agora antigo possessor de Arrakine , sendo essa decisão acompanhada de muita disconficança e mistério.
Trazendo esse panorama superficial sobre a narrativa profundamente complexa de Herbert, o livro Duna é comumente dito como inadaptavel por esse fato de ter numerosos personagens, sendo cada um deles tendo suas particularidades dentro da teia de histórias que nos partilham desse fascinante universo.
Uma outra adaptação desbravou esses obstáculos, encabeçada pelo diretor David Lynch, 'Duna' de 1984 causa uma sensação agridoce nos fãs e na crítica especializada. Hoje, é considerado um clássico cult dos anos 80, tendo visivelmente a estética daquele tempo atrelado ao filme, que não envelheceu muito bem ao passar do tempo, como talvez se considere de Star Wars ou Alien.
Mas, sendo assim, retomamos a pergunta de qual o mérito, no caso de Denis Villeneuve, em se adaptar, mais uma vez, a epopéia da Casa Atreides? Primeiramente, gosto de parabenizar diversas mudanças que ocorreram em relação ao produto de 84. No livro, os habitantes de Arrakis, os Fremen, são oprimidos pela Casa Harkonnem, que acima de tudo desejava controlar a Especiaria e, com ela, o poder sobre o Imperium. Esses personagens são constantemente interpretados como criações inspiradas nos povos originários e pelas comunidades árabes do Oriente Médio; portanto, pessoas não-brancas. A falha do filme de David Lynch foi trazer um elenco basicamente 100% branco, apagando, assim, a demarcação antropológica que o escritor de Duna tanto martelou nos seus livros. Isso é resolvido na nova adaptação, sendo Chani, uma personagem crucial para o desenrolar da história de Paul Atreides, uma Fremen interpretado pela atriz Zendaya, que tem ganhado destaque nas suas últimas produções e tem tido um papel, junto de Timothée Chalamet como Paul, de aproximar o espectador que desconhece da história.
Outro diferencial que é importante pontuar seria a de ter escolha em adaptar o primeiro livro (de uma saga de seis no total) em dois filmes, com direto a primeira parte e segunda parte repartido a história pela metade e possibilitando maior tempo de tela para os atos iniciais que são bastante importantes para o entendimento do que vai se seguir na narrativa até o conflito do final da obra. Isso demonstra um interesse em ser mais expansivo, no que diz respeito aos personagens, mas ainda sim sendo seletivo com alguns arcos narrativos em detrimento de outros, que aproveitam o privilégio de ter o tempo de tela numa única parte de maneira mais expositiva. Isso, dentro do quesito da adaptação, parece ser interessante o bastante para significar um resultado promissor (como o que acabou tendo até o momento com a primeira parte), pode também significar uma quebra abrupta da linha narrativa para o espectador não avisado, o que poderá ser frustrando, no mínimo.
Por fim, sendo esses tópicos tratados por mim, embasando na experiência pessoal que tive vendo o filme e lendo o livro, convido o leitor do nosso blog a vir presenciar esse evento que é mais uma adaptação do livro de Duna, um dos mais importantes escritos da ficção científica de todos os tempos.
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